Ministro cobra informações de bancos oficiais e Secom sobre investimento em redes sociais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que três bancos públicos e a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) do governo Bolsonaro prestem informações sobre investimentos feitos em redes socais. A decisão é um desdobramento do inquérito das fake news, que apura ataques e ameaças a integrantes do STF e a disseminação de informações falsas. A TV Globo apurou que a ordem do ministro envolve Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES), Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, além da área de publicidade do governo, da Secom, incorporada pelo Ministério das Comunicações. Os órgãos foram notificados na sexta-feira (25) para dar explicações ao Supremo Tribunal Federal. Procurados, BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica confirmaram que receberam a ordem do STF e informaram que vão se manifestar dentro do prazo legal previsto. A TV Globo apurou que a Caixa Econômica Federal deve argumentar no STF que não realiza a chamada mídia programática, que permite a compra de espaço segmentado, por exemplo. A intenção do pedido do ministro é analisar se o detalhamento do investimento em publicidade das instituições pode mostrar uma eventual conexão dos anúncios com a rede de fake news investigada no STF. Há suspeitas de que os bancos e o governo façam investimentos para pulgação de publicidade em sites, blogs, portais e redes sociais que propagariam informações falsas. Em maio, ao autorizar buscas envolvendo empresários, políticos e blogueiros bolsonaristas, Alexandre de Moraes afirmou que as provas apontam para "real possibilidade" de associação criminosa e que as apurações envolvem até o chamado "gabinete do ódio". O "gabinete do ódio" é o nome dado por parlamentares ao grupo que atuaria dentro do Palácio do Planalto fazendo ataques a pessoas e instituições pela internet. Para o ministro, o grupo pulga mensagens de "ódio, subversão e de incentivo à quebra da normalidade institucional democrática". Essa nova investida do inquérito das fake news se soma a outras que podem desgastar o governo: Quebras dos sigilos bancário e fiscal de empresários bolsonaristas investigados — desde a campanha eleitoral, de julho de 2018, a agosto de 2020.Dados da investigação do Facebook sobre uma rede de contas ligada à família Bolsonaro e a políticos do PSL que pulgava perfis de falsos repórteres e veículos de imprensa, postava sobre política, criava memes, criticava jornalistas e disseminava conteúdo falso sobre o coronavírus. A apuração atingiu assessores de Bolsonaro e de seus filhos, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).
30/07/2020 (00:00)
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